Monólogo sobre garoto de programa revisita os anos Collor

Monólogo sobre garoto de programa revisita os anos Collor

Depois de marcar presença nas novelas Família É Tudo e Volta por Cima, Gil Hernández se prepara para um mergulho profundo e solitário no palco. Em outubro, o ator estreia seu primeiro monólogo, Boy, no Teatro West Plaza, em São Paulo. A peça, escrita por Rogério Corrêa, conta a história de Fernando, um garoto de programa que viveu no Rio de Janeiro durante os turbulentos anos do governo Collor.

Mais do que uma narrativa sobre sobrevivência, Boy é um retrato íntimo de um personagem que raramente tem espaço para contar sua própria história. Gil interpreta Fernando com entrega e sensibilidade, dando voz a um homem que enfrentou preconceito, invisibilidade e violência — e que, com o tempo, se tornou dono de uma sauna gay.

“Não é só sobre sexo ou marginalidade. É sobre identidade, sobre alguém que lutou para existir num país que o empurrava para os cantos. Fernando é corajoso, é contraditório, é humano. E eu me sinto honrado em poder contar essa história”, afirma o ator.

O texto nasceu de uma peça anterior, Brasil, mostra sua cara, que reunia personagens afetados pela era Collor. Fernando era um deles — e sua força dramática levou o autor a desenvolver um espetáculo só para ele. A peça fala de homofobia, redemocratização, epidemia da AIDS e da busca por afeto em tempos de repressão.

Com quase 30 anos de carreira, Gil encara o monólogo como um divisor de águas. “É a primeira vez que estou sozinho em cena. E não estou sozinho de verdade — estou com Fernando, com todos que se reconhecerem nele, com quem já foi julgado por existir.”

Boy estreia em outubro, com sessões aos sábados e domingos, às 20h30. A classificação indicativa é de 18 anos.

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